Não são só os adultos que sofrem com o estresse, os pequenos também passam por isso e podemos identificar através de suas mudanças comportamentais. Se eles ficarem mais birrentos, tornarem-se agressivos, voltarem a fazer xixi na cama, ficarem mais tímidos ou amedrontados, tiverem pesadelos ou mostrarem nervosismo, pode ser um sinal de que nem tudo está bem. Nas crianças, o estresse também pode se manifestar com dores físicas, como dor no estômago, tontura e distúrbios alimentares, porém, os sintomas não podem ser olhados isoladamente, mas sim como parte de um conjunto.
A verdade é que muitos pais percebem os sintomas apenas quando ele já é um problema, e não quando ele é um indicador. O estresse pode ser causado por diversas coisas, mas geralmente tem raízes na morte recente de um familiar ou de alguém próximo, nas brigas dos pais ou familiares com quem ela mora, pelo ambiente violento ou, ainda, a rotina atribulada. Os relatos da criança também
são importantes para descobrir se ela está passando por momentos estressantes, além do que, engana-se quem acha que os bebês não podem ficar estressados. Não amamentar o bebê com fome, deixar que ele chore sem consolo, não oferecer conforto em momentos de angustia, limitar o contato corporal com ele, não estimular brincadeiras ou conversação e não dar atenção pode ser gatilhos para situações estressantes.
Existem diversos níveis de estresse até chegar ao tóxico e alguns desses níveis são toleráveis. Eles também estão relacionados com como as crianças lidam com o estresse e isso não depende apenas dela, mas também de sua relação de apoio e suporte com os pais.
Em situações onde a criança não consegue fazer a tarefa e joga o material longe, chama-se o estresse de eustresse, o positivo, onde podemos mostrar a ela como fazer as coisas de uma maneira diferente e apoiá-la. O estresse negativo é o distresse, que intimida e ameaça, fazendo com que a reação da criança ao problema seja negativa. Em ambos os casos, quando a ajuda é falha ou os eventos que desencadeiam o estresse são recorrentes e incontroláveis, o estresse torna-se tóxico, ou seja, prejudicial à saúde.
A melhor maneira de ajudar a superar isso ou mesmo evitar, é dando atenção, carinho e mantendo um ambiente familiar saudável para o desenvolvimento infantil. Apesar de parecer senso comum, a ajuda que o carinho parental desempenha na formação das crianças já foi comprovado em diversas pesquisas. As crianças que o recebem sentem-se mais corajosas e curiosas, são mais sociáveis, menos agressivas e tem mais autocontrole. Se a situação é positiva ou negativa, depende de como a criança vai reagir, mas se ela se sentir insegura e abandonada, é claro que a recebera de forma negativa.
Superproteger a criança para que ela não vivencie momentos de estresse, no entanto, não é a solução e já falamos como pode ser prejudicial. O ideal mesmo é dar atenção e ficar atento as mudanças comportamentais dos seus filhos, sempre buscando dialogar com ele.